sexta-feira, 13 de maio de 2011

Mais sobre a Televisão!

Televisão
Titãs - Composição : Marcelo Fromes / Tony Belotto / Arnaldo Antunes

A Televisão
Me deixou burro
Muito burro demais
Oi! Oi! Oi!
Agora todas coisas
Que eu penso
Me parecem iguais
Oi! Oi! Oi!...

O sorvete me deixou gripado
Pelo resto da vida
E agora toda noite
Quando deito
É boa noite, querida....

Oh! Cride, fala prá mãe
Que eu nunca li num livro
Que o espirro
Fosse um vírus sem cura
Vê se me entende
Pelo menas uma vez
Criatura!
Oh! Cride, fala prá mãe!...

A mãe diz prá eu fazer
Alguma coisa
Mas eu não faço nada
Oi! Oi! Oi!
A luz do sol me incomoda
Então deixa
A cortina fechada
Oi! Oi! Oi!

É que a televisão
Me deixou burro
Muito burro demais
E agora eu vivo
Dentro dessa jaula
Junto dos animais...

Oh! Cride, fala prá mãe
Que tudo que a antena captar
Meu coração captura
Vê se me entende
Pelo menos uma vez
Criatura!
Oh! Cride, fala prá mãe!...

A mãe diz prá eu fazer
Alguma coisa
Mas eu não faço nada
Oi! Oi! Oi!
A luz do sol me incomoda
Então deixa
A cortina fechada
Oi! Oi! Oi!...

É que a televisão
Me deixou burro
Muito burro demais
E agora eu vivo
Dentro dessa jaula
Junto dos animais...

E eu digo:
Oh! Cride, fala prá mãe
Que tudo que a antena captar
Meu coração captura
Vê se me entende
Pelo menos uma vez
Criatura!
Oh! Cride, fala prá mãe...

Oh! Oh! Oh! Oh! Oh! Oh!
Oh! Oh! Oh! Oh! Oh! Oh!
Oh! Oh! Oh! Oh! Oh! Oh!
Oh! Oh! Oh! Oh! Oh! Oh!

DESLIGUE A TV, SE LIGUE EM VOCÊ!!

Parabólica
Engenheiros do Hawaii - Composição : Humberto Gessinger

Ela pára
E fica ali parada
Olha-se para nada
(paraná)
Fica parecida
(paraguaia)
Pára-raios em dia de sol
Para mim
Prenda minha parabólica
Princesinha parabólica
O pecado mora ao lado
E o paraíso... paira no ar

... pecados no paraíso ...

Se a tv estiver fora do ar
Quando passarem
Os melhores momentos da sua vida
Pela janela alguém estará
De olho em você

Completamente paranóico
Prenda minha parabólica
Princesinha clarabólica
Paralelas que se cruzam
Em belém do pará
Longe, longe, longe (aqui do lado)
(paradoxo: nada nos separa)

Eu paro
E fico aqui parado
Olho-me para longe
A distância não separabólica

quinta-feira, 12 de maio de 2011

MUNDO pra que te quero

Convite
MUNDO pra que te quero

"Não é fácil conversar com o tempo. O tempo não nos escuta. Ele tem um ritmo contínuo e democrático. Passa para todos. É responsável por todas as chegadas e partidas. O tempo é o senhor do seu destino. Intocável, ele age sobre todas as coisas. Dos homens à natureza. E mais, o tempo não possui tamanho. Só ele é capaz de colocar o ponto final em tudo.
Mas Salizete Freire Soares, compreendendo a força do tempo, e propietária de uma prosa poética, traz para os mais jovens um texto em que o tempo é confirmado como sujeito de todas as coisas. Sabendo da importância da infância diante do desejo de crescer, ganhar novos mundos, a autora convida a criança leitora a refletir sobre os caminhos do tempo. Sem roubar-lhe a infância, Salizete estabelece uma obra em que o presente é um fio amarrado ao tempo e que merece um olhar sem ansiedades.
Mais uma vez os jovens são presenteados com um texto exato, seguro e acariciado pela poesia. E também aos adultos, seu texto emociona por nos levar a revisitar um lugar que não mais nos pertence, mas que o mesmo tempo nos permite reinventá-lo."

Bartolomeu Campos Queirós

Lançamento do livro
“MUNDO pra que te quero”
de Salizete Freire Soares com ilustrações de André Neves!

Dia 28 de maio - Editora Paulinas
(10h, Av João Pessoa, centro – Natal/RN)


Dia 07 de junho - Salão do livro
(Rio de Janeiro/RJ) c/participação do ilustrador

domingo, 24 de abril de 2011

Como a ciência pode mudar o mundo!!!

O CIENTISTA, OS CORONÉIS E O BEDEL
via Ailton Medeiros de Ailton Medeiros em 23/04/11

miguel

Miguel Nicolelis é tema de reportagem da “Brasileiros” que chegou às bancas neste fim de semana.

A revista dedica 16 páginas a Cidade do Cérebro, um centro de ensino de saúde e pesquisa de ponta, com 100 mil hectares, que o neurocientista está implantando em Macaíba, na Grande Natal (RN).

Na entrevista concedida ao repórter Ricardo Kotscho, Nicolelis revela que está perto de vencer seu maior desafio: fazer um paraplégico voltar a andar, movido por uma veste robótica comandada pelo cérebro.

“Se tudo der certo, um menino brasileiro que era quadriplégico até recentemente vai subir andando o túnel do Maracanã, junto com a Seleção Brasileira, para dar o pontapé inicial da Copa do Mundo de 2014, usando a atividade do cérebro para controlar a veste robótica”, escreve Kotscho.

Pois bem, é este cientista, várias vezes candidato ao Prêmio Nobel de Medicina, que o bedel Vicente Serejo tenta intimidar com notinhas asquerosas no “Jornal de Hoje”.

O que fez Nicolelis para atrair a sanha inquisitorial de Serejo? Criticou os coronéis e as oligarquias da Taba!

Seguem trechos da entrevista:

Brasileiros: Como você conseguiu mudar isso?

Miguel Nicolelis: À medida que a minha ciência foi explodindo e sendo reconhecido no mundo, as pessoas viram que eu não estava brincando. As coisas foram aparecendo, as construções, as escolas, os laboratórios, o centro de saúde. A mudança veio de fora para dentro. Quando a revista Scientific American publicou uma reportagem de capa, dizendo que o nosso projeto era um dos melhores modelos de ciência para o desenvolvimento do terceiro mundo, as coisas começaram a melhorar. Em 120 anos, foi a primeira vez que a revista publicou uma carta de um Presidente da República. O presidente Lula, o ministro da Educação, Fernando Haddad e eu assinamos uma carta dizendo que esse projeto era paradigma para um currículo de educação científica que beneficiará um milhão de crianças. Isso saiu como editorial da Scientific American, mas não foi publicado em lugar nenhum no Brasil. Saiu em todo lugar, saiu no México, saiu na Europa, foi um choque. De repente, tinha um projeto em Macaíba que era notícia no mundo inteiro, menos aqui.

Brasileiros: Quem você conseguiu convencer primeiro aqui no Brasil de que a ideia era boa?

MN: Primeiro foi o Lula, em 2003, 2004. Depois, eu convenci gente muito querida, como o Isaac Roitman, que é um cientista brasileiro famosíssimo. Eu o chamo de general Roitman. Nós criamos a “Coluna Roitman”, que era uma espécie de Coluna Prestes da ciência. Hoje, ele é aposentado, mas foi um dos grandes microbiologistas do Brasil. Quando trabalhava como secretário do Ministério da Ciência e Tecnologia, ele ouviu falar do projeto e me convidou para falar com o Roberto Amaral, que foi o primeiro ministro do setor e me tratou muito bem. Comecei a conseguir verbas iniciais do governo federal e recurso privados porque a minha promessa era a seguinte: para cada real que o governo brasileiro pusesse no projeto, eu sairia pelo mundo para conseguir pelo menos mais um real no exterior. Comecei a fazer contatos com brasileiros que moravam fora do País. Em 2005, quando eu me encontrei com a senhora Lily Safra, o projeto já existia, o instituto já existia.

Brasileiros: Como vc chegou a ela?

MN: Foi uma coisa louca. Eu recebi um telefonema, na Suíça, de um amigo em comum, um verdadeiro irmão israelense chamado Hidan Segueve, que falou do projeto para a senhora Safra. Um dia ela me liga, bem na hora em que eu estava descendo de um trem em Genebra. Ao ouvir o nome dela, tropecei no degrau do vagão, caí, rasguei minha calça. Sentei em um banco porque estava achando que era trote, e era ela. Fui convidado para visitá-la na sua casa em Londres. Dois dias depois, eu estava na casa dela apresentando o nosso projeto. Aí começou a pegar no breu. Por questões contratuais, eu não posso falar em valores, mas foi a maior doação privada da história da ciência brasileira até hoje.

Brasileiros: O senhor se lembra de alguma história emblemática desse início de implantação do projeto, algo que lhe deu a certeza de que estava no caminho certo e não poderia desistir?

MN: Quando a gente abriu a primeira escola em março de 2007, em Natal, nós trouxemos os maiores neurocientistas do mundo para conhecer o trabalho, veio até um prêmio Nobel. Uma menininha de Cidade da Esperança, que é o bairro onde fica a escola, me pegou no braço quando eu entrei na escola, e falou: “O senhor promete uma coisa para mim?”. Perguntei o que era e ela respondeu: “O senhor não vai embora daqui nunca, não é?”. Prometi para ela que nunca iria embora daqui. Os cientistas americanos olharam para mim e pediram para eu traduzir o que a menina tinha falado. Esses caras são gente de casca dura, mas não teve um que não marejou os olhos.